A vida de solteira da mulher de trinta é um tortuoso caminho, somente comparável àquela viagem de
ônibus que você fez, quando era adolescente, pra aquele fim de mundo do outro lado do planeta chamado de "interior onde moram meus pais".
A via crucis começa com uma plêiade de perguntas, tais como: "Onde acharei meu príncipe encantado?", "será que essa saia de oncinha vai denunciar que eu estou beliscando azulejo e chamando urubu de meu louro, gato e musculoso?", "será que, se eu tomar a iniciativa, aquele gato vai gostar, ou achar-me oferecida e piranhuda?". Enfim, são muitas as dúvidas que assolam as cabecinhas oxigenadas, black power, vermelho-fogo, ficando careca, inteligente (não, filha, não é você, é aquela m... de formol 90% que você coloca de dois em dois meses, até morrer de câncer de pulmão naquela fumaceira toda) ou ninho de pomba bêbada das nossas amigas de trinta, inclusive desta que ora vos fala...ai DJésus, será que eu vou ter que ligar pra aquele fim de linha, que tem mau hálito, cheira a pum enlatado e tem mais gordura no cabelo do que a chapa da Mac Donalds pra trocar, ao menos, um oleozinho? E olha que até completar a água do limpador de parabrisas, nessa situation, a gente acaba aceitando.
Aqui vale entrarmos, novamente, naquela questãozinha da biologia, lembram? Darwin, Galápagos, Sundown? Nada, criatura tonta? Fez luzes essa semana, foi? Então vamos lá, à nossa liçãozinha de biologia dos relacionamentos, pra que possamos entender como funciona a dinâmica da formação dos casais e do, cada vez mais raro, happily ever after.
Não se trata, absolutamente, de machismo, mas temos que reconhecer, sim, que homens e mulheres desempenham, em nossa sociedade, papéis próprios e inerentes ao fato de terem ou não um "Y" em seu DNA. Explico, antes de ser atacada por hackers feministas furiosas e ter o nosso Balzaquian Channel cancelado pra sempre. Não estou, aqui, pregando que as mulheres não podem fazer tudo o que os homens fazem; é claro que podem, mesmo com os olhos vendados, as mãos amarradas nas costas e as pernas naquela posição impossível que você viu na yoga e pensou: meu Deus, essa pessoa jamais sentará de novo em sua vida!
Acontece, meninas, que não podemos reclamar daquilo para o que nós mesmas contribuímos, na luta insana pelo reconhecimento de nossas especiais e inimitáveis habilidades, sim, porque ser mãe, dona de casa, trabalhadora e, ainda, ter tempo pra se depilar, comprar uma lingerie massa e fazer uma escova nesse mafuá que seu cabelo se transforma em tempo úmido, são habilidades que, reconheçamos, os homens jamais conseguiriam, sequer, imitar. Sabemos que mal, mal, a lista de supermercado que se dá pra eles fazerem, chega com as compras respectivas em casa (e se chega, vem com tomate maduro demais, limão maduro de menos, ovo com prazo de validade pra anteontem e - raios! - a coca-cola que ele comprou não é zero!! Filho da mãe!).
Quando ouvimos aquela frase: "cuidado com o que você deseja, pois pode tornar-se realidade", a gente pensa que trata-se de mais uma bobajada de facebook ou de paralamas de caminhão, mas, na real, a igualdade absoluta com os homens é extremamente desvantajosa pra nós, mulheres. Perdemos o direito a ter nossas malas carregadas (lembrou daquela viagem pra Morro de São Paulo, né? Cujo nome já denuncia a quantidade de hérnias de disco que você adquiriu ao carregar as suas sete malitas pra o fim de semana com o gato, que só levou aquela maldita mochila, que está nas costas dele, para a qual você olhava com ódio, afinal, se a estava vendo, era sinal de que o moçoilo estava bem à sua frente, lá em cima do morro, conversando animadamente com um nativo); perdemos, também, a nossa confortável posição de observar a beleza do lustre do restaurante carésimo, enquanto o garçom entrega a conta diretamente ao seu gentil namorado que, de pronto, saca a carteira e liquida a "dolorosa".
Enfim, no mundo competitivo do trabalho, no ambiente empresarial, na disputa por um cargo, na procura por um emprego, aí, sim, cabe pregar-se a igualdade de condições e de requisitos exigidos, seja do homem, seja da mulher (que, logicamente, fará tudo melhor, mais bem feito e, ainda, com um grampinho rosa e um post it amarelo-fosforescente a indicar a finalidade daquela papelada que, antes, mais parecia remanescente de um tornado subtropical). Mas vamos, por favor, reconhecer que o romantismo é, sim, liiiiindo de morrer, que ter a porta do carro aberta pra você não é só porque o carro é novo (piadinha infame!!), que ser, por fim, cuidada, dengada, mimada é bom demais da conta, sô!
Assim, quando tiver vontade de trocar aquela lâmpada que queimou, aventurando-se naquela escada de alumínio treme-treme, peça ao seu amor, com aquele biquinho de quem acabou de fazer preenchimento labial, pra ele exercer seu papel de macho da casa e cumprir aquela dificílima tarefa, somente possível aos machochôs de verdade!
Sejamos femininas, frágeis, quando convier, fortes quando necessário mas, essencialmente, mulheres, tal como a natureza nos fez: a fêmea da espécie, aquela pra quem o pássaro faz aquela dancinha com as asinhas abertas, os alces se arrebentam nas cabeçadas entre si e o pavão abre aquela cauda imensa e maravilhosa, só pra impressioná-la.
Beijo, meninas!
Mari.
Pé na tábua!!
Ok, pessoal, minha primeira incursão no mundo virtual...tenham paciência comigo...hehe!
Meninas, a idéia é falarmos sobre os problemas enfrentados pelas mulheres de trinta, suas dúvidas, suas neuras, seus desejos e todas as dificuldades enfrentadas por essas mulheres maravilhosas que se encontram naquela que eu chamo de "Década de Ouro", os anos em que estamos no auge de nossa forma física, vivenciamos experiências suficientes a embasar nosso dia-a-dia, sabemos o que queremos e, sobretudo, o que não queremos!
Sejam bem-vindas ao mundo das mulheres de trinta!!

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