O sonho dourado ainda cultivado por muitas das mulheres dessa turma maravilhosa à qual pertencemos ainda é, apesar de todas as dificuldades e tropeços por que tem passado o instituto, o casamento. O matrimônio, em nossa sociedade, ainda confere aos cônjuges (palavrinha linda, né? É a preferida dos Advogados de Família...hehe) um inegável status, servindo mesmo como legitimador de uma certa credibilidade no meio em que está inserido esse casal, que passa a ter uma espécie de "passe livre", seja para eventos, festas, comemorações e toda uma sorte de reuniões em que as mucuras têm pavor de expor suas beldades carecas e buchudas às garras afiadas das mulheres solteiras, essas constantes ameaças aos lares de hoje (bando de iludidas!!).
A questão é: quanto vale um casamento hoje em dia? O quanto é possível tolerar-se de desgaste, desinteresse, infidelidades, mal-estar, em prol de manter-se esse "sagrado laço", sob o qual devem os "amarrados", ao menos em tese, permanecer até que a dona caveira venha puxá-los pelos pés? Será que, em nome de uma posição perante a família de ambos e a comunidade em que se vivem, devem marido e/ou mulher abrir mão de sua felicidade? Até onde vai essa tentativa, desvairada, em muitos casos, de, a qualquer custo, inclusive pessoal, permanecer sob essa fachada de perfeição institucional, enquanto se despedaçam o respeito, a harmonia, a paz de espírito?
Bom, minhas queridas, o assunto é mesmo muito polêmico, porque envolve inúmeros interesses em jogo, nem sempre somente os dos dois maiores interessados: marido e mulher; existem, muitas vezes, envolvidos nessa equação de infelicidade filhos, patrimônio, as famílias de ambos, amigos, colegas de trabalho, os vizinhos (aqueles sacanas que colocam o copo na sua parede pra escutarem cada suspiro que você e seu marido dão em casa), Igreja, o Seu Zé da padaria, a Ritinha do salão, o Pablito da banca de jornais, enfim, um mundo de gente que, além de dar palpite na sua relação, ainda são motivos pra você e seu dileto rolhinha de poço repensarem a decisão de seguirem, cada um, com sua vida, ele naquele flat cheio de homens separados, todos amigos de infância do hijodeputa, dando uma festa por noite, enchendo de vagabundas o quarto-e-sala/marmitex que ele arrumou, enquanto ela, coitada, tem que se resguardar por um bom tempo, se não quiser ficar conhecida como a mais nova caçadora de maridos alheios da praça.
Assim, vivemos um tempo em que o casamento, aquela instituição impoluta, sólida, cheia de glamour, tornou-se mais um faz-de-conta, onde ele faz de conta que não sabe que ela está indo demais no dentista e ela, por sua vez, faz que não percebe que ele trocou de secretária cinco vezes, só esse semestre, sendo que cada uma delas, muito provavelmente, tinha uma parente no hortifruti (melão, melancia, pêra...) e, com certeza, mais que absoluta, nunca haviam chegado perto de um computador antes que não fosse pra checar seu Facebook e dizer que "hoje vou cair na gandaia", ou "o amor é lindo, só o que estraga é a falsidade...".
A ocorrência da infidelidade nos lares modernos, de exceção, praticamente constituiu-se em regra, segundo uma cultura, cada vez mais arraigada, de insatisfação e ansiedade, na qual o casamento, após o fogo da paixão ter sido reduzido a nada mais que um isqueiro de bolso (sorry...mas você sabe que é vero!), deixa de ser interessante e o casal, antes tão conectado e empenhado em fazer prosperar a união, deixa de investir na relação, pratica um nível muito baixo de tolerância com os desgastes naturais do dia-a-dia, deixa de se interessar pelos antes tão empolgantes projetos em comum, partindo pra inevitável situação de deixar-se abrir uma brecha, onde, fatalmente, pode se encaixar todo tipo de situação, inclusive, e mais frequentemente, o descumprimento dos votos de monogamia e fidelidade recíprocos.
Pode parecer piegas, mas uma coisa é bastante certa, vocês hão de concordar, que quando a pessoa está feliz e satisfeita com seu parceiro, não há lugar pra outra pessoa em sua vida, a não ser que essa pessoa seja uma psicopata do sexo, um serial comedor ou uma sem vergonha de carteirinha. Se o casal está feliz, sintonizado, têm bastante coisas em comum (essa estória de 'os opostos se atraem' é conversa de vendedor de ímã de geladeira!), se cuida (isso é muito importante, afinal, a pessoa que não se cuida, está dando atestado de que a outra pessoa não merece esse esforço! Acorda e vai malhar, sinha preguiçosa!! E nem vem dizendo que seu marido gosta de carrrrne pra pegar, viu? Ele é açougueiro, por acaso? Ah, e, pelamordedeus, filhinha, tira esses bobs!!!!), não vai sentir necessidade, ou mesmo vontade, de arriscar tudo isso em nome de uma aventura ou de um prazer efêmero e cheio de culpa.
Quem já passou por essa situação, sabe bem do que estou falando. Ninguém está, aqui, a pregar a moralidade ou a hipócrita defesa de valores que não mais subsistem, ao menos não mais como antigamente, muito menos que aquele ou aquela que dá um triplo mortal carpado por sobre a cerca viva de arbustos de seu "perfeito" lar deva ser apedrejado na medina ou arder no mármore do inferno; afe, gente, longe disso, por favor! Mari não é nenhuma santinha não, tá! Tenho meus pecadilhos, devidamente guardados dentro daquele baú magnífico, que consegui por uma pechincha, lá na 25 de Março (um achado!!!!).
Gente, interessar-se por outra pessoa, mesmo sendo comprometido ou comprometida, é, hoje, um fato da vida a ser encarado de forma possível pra qualquer pessoa; não existe, me perdoem as puritanas, beatas, carolas e companhia limitada, aquele ou aquela que seja insuscetível de ser conquistado ou de se interessar por outra pessoa, afinal somos todos humanos, minha gente, e apaixonar-se é possível, sim, desde que o lugarzinho que você destina pra isso em seu coração esteja vazio, ou esteja sendo ocupado de forma insatisfatória. A busca, cada vez maior, pela felicidade e pela satisfação pessoal traz, consigo, uma urgência tal que, se mal gerida, ocasiona o inevitável questionamento dos pilares do casamento, dos motivos pra manter-se aquela união que, no início, parecia que ia se perpetuar por toda a vida. Aí abre-se a possibilidade de uma relação extraconjugal que, no mais das vezes, traz, consigo, uma espiral crescente de culpa, angústia, ausência total de paz de espírito, inquietude, impaciência, enfim, um quadro que culmina com a desestruturação pessoal do consorte, ultimando-se com o ocaso do matrimônio, seja por desistência de quem "saltou a mureta", seja por descoberta do fato e subsequente inconformismo, pelo marido ou pela esposa "traídos".
Assim, correndo o risco, mais uma vez, de ser considerada a rainha dos lugares-comuns, se casadas, dêem atenção às pequenas coisas, detectando as ranhuras que têm ameaçado a estabilidade de sua relação, se você achar que vale a pena, ainda, lutar pelo seu fofucho. O diálogo, a conversa acerca das dificuldades enfrentadas, os percalços que sempre surgem pelo caminho, as insatisfações com relação ao comportamento ou a inércia do outro, tudo isso é fundamental pra que o sucesso de seu casamento seja alcançado, pois a vigilância diária é sempre a chave da consecução a contento de quaisquer que sejam seus projetos de vida. Se seu objetivo nessa vida é casar-se e ser feliz, minha linda, então arregace as mangas e se lance no trabalho pesado, porque nem tudo serão flores, saiba disso....mas se você não sente falta de umas margaridinhas e prefere matar um leão por dia, que se dane o Ibama, se jogue!!
Beijos,
Mari.
Pé na tábua!!
Ok, pessoal, minha primeira incursão no mundo virtual...tenham paciência comigo...hehe!
Meninas, a idéia é falarmos sobre os problemas enfrentados pelas mulheres de trinta, suas dúvidas, suas neuras, seus desejos e todas as dificuldades enfrentadas por essas mulheres maravilhosas que se encontram naquela que eu chamo de "Década de Ouro", os anos em que estamos no auge de nossa forma física, vivenciamos experiências suficientes a embasar nosso dia-a-dia, sabemos o que queremos e, sobretudo, o que não queremos!
Sejam bem-vindas ao mundo das mulheres de trinta!!

Bons textos! Apesar de não pertencer ao seu público alvo, divirto-me horrores!
ResponderExcluirSugeri alguns pontos de melhoria para Ísis, em relação a maricota35 e a maeemcontrucao. Como ela é muito esquecida, lembre-a!
Abraços
Obrigada, conselheiro! Por favor, continue opinando, tá? Mari adora sugestões!! Bjo grande!
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