Por sugestão de uma amiga, esse post vai ser sobre um tema muito interessante e, aliás, de muito importante discussão, na vida das mulheres de trinta: a verdadeira obrigação de ser feliz, que nos é, diariamente, enfiada goela abaixo - sem água ou um suquinho light pra ajudar - seja em família, seja no trabalho, seja socialmente. Então, como bem lembrado por essa minha amiga, será que vivemos na era do Prozac? Não mais nos é dado o direito de espernear, arrancando os cabelos e gastando todo o suprimento de lencinhos de papel do Continente Americano?
Pois bem, a cobrança pela felicidade, não é exigência muito recente, na história de nossa sociedade moderna. As amigas aí de trinta e quinze, trinta e vinte anos, e assim por diante (clarooooooo, vocês fazem parte de nossa tchurma!!), devem lembrar-se daquela época, ainda que não vivida pelas mesmas (of course!!), na qual as mulheres nada mais eram que modelos de donas-de-casa perfeitas que, após lavarem todas as cuequinhas de seu maridão (algumas com aquele freião de bicicleta...argh!!), limparem tooooda a casa, cozinharem e cuidarem pra que seus oito filhos (fofos...) estivessem limpos, arrumados, educados e alimentados, ao final do dia ainda tinham que estampar, em seus rostos cansaaaados, a imagem da felicidade, na base do creme Pond's (lembram, aquele que era vendido no supermercado? Lembra sim, sua megera! Vai tirar essa sainhadoispalmos que tá ridícula em você!! Você é mãe de um adolescente, for Christ's sake!!), afinal, tinham um marido, o que era considerado o supra-sumo do sucesso para uma mulher (cada traste, afe!).
Assim, já naquela época, iniciou-se uma espécie de ideologia dos "óculos cor-de-rosa", segundo a qual a ninguém era dado o direito de sentir-se ou, pelo menos, demonstrar que estava triste, porque, afinal, estaria reclamando de barriga cheia, né? Morando naquela casa maravilhosa, com seus pirralhos piolhentos e gritadores e seu maridão cintura-de-ovo, cujo penteado pertencia a uma outra era (ou seja, o cabelo "já era"...e o que restou era penteado de forma que a risca lateral era partida parecendo que vinha do sovaco, de tão baixa, pra que ele pudesse pegar aqueles fios loooongos e, praticamente, colar com gomalina, atravessando a cabeça até a longínqua outra orelha), como é que você pode, criatura, pensar em infelicidade?? Tá louca?? Quase, né? Afinal, ninguém merece esse castigo de cuidar de uma casa, milhões de lagartinhas cruéis e exigentes (seus filhotes lindos, e como comem!!) e de um marido, que acha que a única obrigação que tem é de por dinheiro na casa e levantar os pés do chão, pra você passar direitinho o aspirador.
Essa idéia da "obrigação de ser feliz", mutatis mutandis, veio sendo passada, de geração em geração, chegando ao seu ápice nos dias atuais, enchendo os bolsos dos psiquiatras e fabricantes de medicamentos para depressão, ansiedade, frescura, piti, medo de barata, preguiça pura, leseira, falta do que fazer, solteirice crônica supurada, dentre outros inúmeros males que ora assolam a vida dessa mulher tão sofrida, que é a mulher de trinta.
Ela pode até estar com problemas pela linha do queixo, mas não pode desmoronar, isso não! Afinal, o que os outros vão pensar, né? Ela tem tuuuuudo o que uma mulher poderia querer pra ser feliz e NÃO TEM O DIREITO de vir pra cá dizendo que está, sequer, com uma dorzinha de cabeça!! Afe, gente, cadê nosso direito de ir ao fundo do poço da autopiedade, de chafurdar na lama, junto com nossos mais novos melhores amigos, aqueles porquinhos fofos (e daí se fedem pra caralho?), de chorar, chorar, chorar, encharcar a fronha, melecar o travesseiro de coriza, só porque, hoje, estamos nos sentindo tristinhas, mesmo que sem ter um motivo isolado, e só queremos ficar ali, quietinhas, no nosso cantinho, debaixo de nosso edredon, a fungar intermitentemente, sem que tenhamos que fazer um sobre-humano esforço pra levantar-nos, arrumar-nos, maquiar-nos, só pra parecer a pessoa que, definitivamente, não estamos nos sentindo no momento em questão. Somos mulheres e, como tais, temos, sim, o direito a nossos momentos de reflexão, chatura, mau-humor, tristezinha, denguinho! Até porque, temos uma verdadeira cachoeira de hormônios circulando em nossas veias, recém esclerosadas naquele angiologista da moda, afinal os vasinhos estavam prejudicando seu visual naquele shortinho massa de domingo.
Essa cultura sufocante da felicidade é que tem causado essa ansiedade maluca que, hoje, tem tomado conta de 99,9% da população feminina mundial, já que, tendo que dar conta de ser excelente profissional, mãe, dona-de-casa, esposa e, por fim, amante (não necessariamente fora de casa, viu fofa?), ainda lhes é cobrado o sorriso nos lábios, a satisfação por ter o que outros 99,9% das mulheres (tá, matemática nunca foi meu forte!!) querem pra si e que buscam incessantemente. Então, se você tem algo que, pras outras mulheres, que estão solteiras, não têm filhos ou estão desempregadas ou insatisfeitas por qualquer outro motivo que, thanks God!, não te aflige, ao menos momentaneamente, você não pode, veja bem, não lhe é permitido, derramar uma lagrimazinha sequer!!
E se você estiver solteira? Pode entornar um pote de sorvete tamalho família, assistindo a ghost, pela trocentésima vez? Depende, filhinha...se você for uma daquelas mulheres super poderosas, das quais falamos em outro post, então você perdeu direito a não trocar o mesmo pijamão de flanela por duas semanas, mesmo que ele esteja todo sujo de uma mistura conhecida como lágrima-meleca-catchup-pipoca-sorvetedeflocos-batatachips-diet coke-amendoimjaponês-farinha! Por que? Novamente porque você tem tuuuudo pra ser feliz, você não vê?? E as outras, aquelas que, diferentes de você, não possuem os atributos de uma *MSP, embora você esteja solteirinha de Albuquerque Matarazzo Figueroa (solteirinha da Silva, nunca!! É coisa de poooobre!! Que me perdoem, é claro, as Silvas parentes de Lula ou ricas e glamourosas por natureza, mas que beleza!), olham pra você e não reconhecem um motivo que seja pra você estar com o rímel todo borrado e a saliva escorrendo pelo canto da boca, enquanto grita: "como sou infeliiiiiiiiiizzzz....". Elas não reconhecem esse seu direito, direito livre, inerente a qualquer ser humano, menos ou mais favorecido, pela natureza ou pela vida, de verter suas lágrimas, afinal são suas e de mais ninguém, no momento em que sentirem vontade (novamente, aqui, não é da conta de seu Ningas, inferno!!!!). Defenda esse seu direito!
Se se sentir abaixo da Linha Polar Antártica, amiga, você pode, sim, enfiar-se na sua caminha king, queen, single, não importa, desde que seja quentinha e cheeeia de travesseiros macios, envolta no seu pijamão da Minie, com um pirulito na boca (porque não??), assistindo à maratona de two and a half men, pra ver se, pelo menos, dá uma risadinha com aquele puto/bêbado/feladaputa do personagem do Charlie Sheen que, por acaso, só por acaso, lembra, vagamente, seu ex-ficante/namorado/peguete/marido, inclusive na capacidade de providenciar adereços pra sua cabecinha louro-dourado, com mechas chocolate (o hit do inverno!!). Sim, meu bem, porque você pode estar com o pé no buraco, mas sempre pronta a emergir dele linda, loura, poderosa e bronzeada (autobronzeador ou pó bronzeador, né? Porque você não sabe mais o que é sol há tempos!!), pra, enfim, seguir em frente, porque a gente tropeça, tropeça, cai, se rala toda, mas bota um band-aid da Hello Kitty e vai, desfilando pela vida, de cabeça erguida, afinal, você tem direito sagrado às suas emoções; não abra mão delas!!!
Beijos!
Mari
(*Glossário da Mari: Ah, pelamordejah, você ainda não sabe o que significa MSP? Então é porque deve ser uma mocréia invejosa e bigoduda, minha filha! Leia o post do dia 03 de março, pra ver se você ainda tem salvação!)
Pé na tábua!!
Ok, pessoal, minha primeira incursão no mundo virtual...tenham paciência comigo...hehe!
Meninas, a idéia é falarmos sobre os problemas enfrentados pelas mulheres de trinta, suas dúvidas, suas neuras, seus desejos e todas as dificuldades enfrentadas por essas mulheres maravilhosas que se encontram naquela que eu chamo de "Década de Ouro", os anos em que estamos no auge de nossa forma física, vivenciamos experiências suficientes a embasar nosso dia-a-dia, sabemos o que queremos e, sobretudo, o que não queremos!
Sejam bem-vindas ao mundo das mulheres de trinta!!

Nenhum comentário:
Postar um comentário