Quem é que nunca fez alguma merda federal, por conta de carência, minhas amigas? Ninguém, creio eu. A carência é um bichinho muito cruel, que vai comendo sua auto-estima com a mesma voracidade que faz você devorar aquela panelada de brigadeiro inteirinha, quando está de TPM. É um buraco sem fim, igualzinha à sua conta bancária, minha filha, que parece nunca se satisfazer com tudo aquilo que você sua horrores pra jogar lá dentro (da última vez, você esperou mó tempão e escutou até o eco quando, finalmente, a moedinha que você colocou lá atingiu o fundo do buraco!).
É essa maldita a responsável por aqueles quilinhos a mais - porque quem é que raciocina quando está carente e entra naquela Delicatessen wonderful que abriu bem pertinho de casa? (não tinha outro lugar não, gente?? Uma cidade desse tamanho...) - é essa indecorosa que faz você ceder e ligar praquele cafa feladaputa, só pra ele não atender, pela enésima vez, e fazer você sentir como se fosse o cuspe de uma ameba de cachorro; é essa condição tortuosa, que faz você sair, com aquelas suas outras amigas carentes, praquele show de música brega, de última categoria, na esperança de arranjar algum desdentado jeitosinho, pra dar umas beijocas naquela boquinha murcha charmosa. Enfim, é a carência a responsável pelas insanidades que a mulher de trinta, a cada dia, tem feito em busca de algo que, finalmente, a faça sair dessa areia movediça infernal, na qual, um movimento sequer, faz você ficar enterrada até o seu pescocinho, recém esticado por aquele lifting mara que você fez, na tentativa de ganhar uns pontinhos de vantagem nessa corrida maluca que se tornou encontrar um cobertorzinho de orelha, ainda que não seja de algodão egípcio, né, meu bem, afinal você não está em posição de ser exigente, fofa (poliéster também esquenta, apesar de dar bolinha....tudo tem seu preço!).
E, assim, a mulher carente acaba aceitando coisas que, normalmente, com seu juízo e amor próprio em níveis racionais, jamais, em nome de Jah, cogitaria, sequer, pensar a respeito. É assim que se prolongam casamentos falidos, namoros mais mornos que o café da sala de espera de seu ginecologista, relações destrutivas e indignas de mulheres massa e com tantos predicados, como todas nós.
Num momento de carência, a impulsividade se manifesta, de forma bastante frequente, fazendo com que a mulher aja de modo totalmente impensado, não somente ao devorar a travessa de macarronada gelada, em plena madrugada, mas também ao fazer más escolhas, só pra não ter que assitir a nonagésima sexta reprise de "Uma Linda Mulher", em plena sexta-feira e se debulhando em lágrimas quando Richard Gere aparece, com aquela carinha linda, no teto solar da limusine, abraçando aquele buquê de rosas vermelhas, pra pedir a Julia Roberts em casamento (nesse momento, sua cabeça não pára de pensar que até as putas conseguem um príncipe encantado, menos você...e lá se vão mais três litros e meio de lágrimas!!).
É difícil, muito difícil, manter-se sã, quando em estado de carência aguda, perfurada e supurada, eu bem sei! Nesse momento, tudo o que a mulher quer é que alguém a chame de meu benzinho, coloque-a no colo e diga que tudo vai ficar bem (não serve o papai noel do shopping, criatura, afe Maria!). Como qualquer ser humano, eu diria até, como qualquer animal desse mundo, (menos os insetos, porque eles absolutamente não merecem qualquer consideração!!), merecemos carinho, atenção, dengo, veneração, idolatria, um carrinho zero por ano, algumas viagenzinhas internacionais, umas joiazinhas de vez em quando, enfim, o básico, do básico, em termos de atenção masculina, porque assim o merecemos, e não devemos aceitar menos, não! Tá, tudo bem, Mari tá numa carência de dar dó em papagaio viúvo (os bichinhos são monogâmicos, gente, não procuram outra parceira...ti fofo!!); talvez por isso esteja, aqui, inflacionando o mercado.
Ok, ok, nem precisa tanto....basta alguém legal, que nos respeite, nos dê valor, nos seja fiel e seja, pelo menos, apresentável, né, por favor! Não adianta ter um pezinho quente pra esquentar suas noites frias se você não tem coragem de sair com ele à luz do dia; e não é porque ele tenha algum problema de pele ou seja fotofóbico, é porque é medonho mesmo. Vai virar vampira, ou o que? Não sejamos hipócritas, a aparência do sujeito conta pontos, sim. A carência, às vezes, funciona igual à caipirinha; depois de algum tempo sob sua influência, você passa a achar tudo lindo, charmoso e gostoso, até mesmo o Seu Gerivaldo, o porteiro caolho, manco e mouco, do seu prédio, que nunca ouve quando você interfona lá pra baixo (ainda bem, senão você já tinha chamado o pobre na xinxa, que eu sei!).
É hard, eu bem sei, quando a gente está carente; parece muito com o que acontece quando se está grávida: parece que o mundo vai parir! Você vê uma grávida em cada metro quadrado à sua frente. Bom, no caso de se estar carente, tudo o que você consegue ver são casais, se multiplicando em todos os lugares!!! Até as baratas têm o seu parceiro, Jesus!!!! Porque eu não consigo achar alguééééééééém????????? Ok, ok, respire fundo, Mari, calma filha, bota um rivotril embaixo da língua, tudo vai ficar bem....ufa, um, dois, três...tá, gente, tô melhor....respirar num saco de papel é, realmente, uma boa técnica...pronto, tô de volta!
Pois é, minhas colegas, o seguinte é esse: a carência, depois das muriçocas e mosquitos da dengue, tem sido a praga do século, podem crer. E, infelizmente, não há, nesse caso, nenhuma notícia alvissareira vinda do front, ou seja, os homens disponíveis não estão se multiplicando por bipartição, sua amiga casada com aquele estrangeiro liiiiindo de morrer não tem um cunhado solteiro gêmeo, o sacana casado que andou te comendo e prometendo mundos e fundos, não vai se separar daquela mocréia loura cabelo de piaçava, enfim, nada vai se resolver em um piscar de olhos, não adianta pirar.
Então, pode pegar seu potinho de sorvete, vai, só hoje, porque amanhã você vai respirar fundo, botar um salto, passar um rímel e enfrentar a vida, porque não vai adiantar nada você se afogar nesse poço de autocomiseração, meu bem, porque homem nenhum vai olhar pra você com toda essa energia negativa emanando por todos os seus poros. Atitude positiva atrai coisas positivas, sempre! E, quem sabe, não vai ser justo amanhã que você, munida de um sorriso arrasador, vai cruzar com aquele gato, que vai ficar encantado com sua autoconfiança, seu bom humor, sua positividade e vai querer saber quem é essa mulher interessantíssima com quem ele teve a sorte de cruzar? Fé, linda, tenha fé....e um estoque renovado de Haagen Dazs no freezer, just in case!
Beijos,
Mari.
Não se pode deixar o desespero tomar conta, minha gente,
Pé na tábua!!
Ok, pessoal, minha primeira incursão no mundo virtual...tenham paciência comigo...hehe!
Meninas, a idéia é falarmos sobre os problemas enfrentados pelas mulheres de trinta, suas dúvidas, suas neuras, seus desejos e todas as dificuldades enfrentadas por essas mulheres maravilhosas que se encontram naquela que eu chamo de "Década de Ouro", os anos em que estamos no auge de nossa forma física, vivenciamos experiências suficientes a embasar nosso dia-a-dia, sabemos o que queremos e, sobretudo, o que não queremos!
Sejam bem-vindas ao mundo das mulheres de trinta!!

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